07/03/2010 - 17:36
MONTEZUMA CRUZ
Amazônias
BRASÍLIA – Pedro Paulo Beroth, 22 anos, não vai sossegar enquanto os estados do norte do País forem para ele apenas foto, cartão postal ou quadros na parede. Quer senti-los de verdade, da mesma forma como conheceu litoral brasileiro e a Argentina. Em Palermo, Buenos Aires, emprestou câmeras para fazer o curso de fotografia. Sonha com a oportunidade de trabalhar em algum município do interior, prestando serviços de assessoria.
— No período de folga posso percorrer rios, florestas, estradas, e conhecer minerações, camponeses, garimpeiros e povos indígenas. Quero mesmo fazer fotografia documental — se compromete.
Com 22 anos, nascido e criado em Presidente Prudente (SP), onde trabalha numa agência de aluguel de carros, o jovem também conhecido por Pedro Malamam sabe que as Amazônias motivam cada vez mais o conteúdo dos trabalhos dos notáveis peregrinos nacionais Pedro Martinelli, Kim-Ir-Sem, Dida Sampaio, Araquém Alcântara e outros com expressão regional. Não quer perder o bonde da história. Ao postar seu trabalho no Portal de Luís Nassif, apelou-me para apresentá-lo ao leitorado nortista.
Rumo à Argentina
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Palermo: no Teatro Improviso, neste bairro de Buenos Aires, usou uma Nikon D200 ao retratar o ator no chão, cercado por pessoas, como se estivesse em julgamento |
A fotografia o seduziu a partir dos 16 anos. Comprou logo alguns livros e expandiu seus conhecimentos. Inclinou-se pelo preto e branco, embora cedesse aos encantos da cor.
— O mundo é colorido. Pouco a pouco fui aprendendo e desvendando a verdadeira fotografia — comenta.
Aos 19 anos, Malamam iniciou o curso de Comunicação Social na Unoeste de Presidente Prudente. Sentiu dificuldades ao notar que a matéria curricular de fotografia não era a que realmente almejava.
— Meu modo de vida e o mundo que se descortina para mim é outro. Naquela época percebi a queda da ficha: se quisesse mostrar algo impressionante, de qualidade para os diferentes padrões dos apreciadores da arte fotográfica, precisaria viajar — justifica.
Um ano depois iniciou as primeiras produções. E veio a chance de ouro: seus dois primos moradores em Buenos Aires toparam hospedá-lo. Malamam não pensou duas vezes, arrumou a bagagem e foi embora.
— Entrei de cabeça. No começo, busquei algum curso rápido e barato de fotografia, porque a minha situação financeira só me permitia isso. Em seguida, melhorei — relata.
Volta
Ao constatar a existência de Licenciatura em Fotografia na Universidade Palermo, a sorte lhe sorriu. Mesmo não tendo câmera, computador e tampouco domínio da língua espanhola, matriculou-se no curso. Importava-lhe aprender a arte e evoluir.
— Descobri que a fotografia era uma parte de mim e era aquilo que queria fazer para viver. Estudava plenamente, me dedicava ao máximo.
Um dos primos o auxiliou a traduzir os trabalhos. Dotado de força de vontade, ele obteve boas notas. Mais tarde veio o primeiro revés, motivado pela falta de dinheiro. Apertado, viu-se obrigado a retornar para a terra natal, que fica a 570 quilômetros de São Paulo.
Em Presidente Prudente, Malamam manteve-se esperançoso em retornar para Buenos Aires, acompanhando os primos, mas desistiu quando perdeu o pai. Continua persistindo. E sonhando:
— Faço tudo para me dedicar a esse estilo de vida que a fotografia possibilita. Não vou desistir nunca.
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Salvador: novamente Pedro aciona a Canon para mostrar o movimento de vendedores e turistas no Pelourinho, uma área 100% afro-brasileira |
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Vídeo Opinião TV
Navio Oswaldo Cruz nos rios da Amazônia
Fonte: TV Candelária/Record
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