Albras difunde roça sem fogo entre produtores de mandioca de Barcarena

17/07/2010 - 15:04

 

O agricultor Nélio Santos, líder da comunidade de Arienga, onde estão os roçados de mandioca consorciados com milho e arroz /DIVULGAÇÃO
O agricultor Nélio Santos, líder da comunidade de Arienga, onde estão os roçados de mandioca consorciados com milho e arroz /DIVULGAÇÃO

 
 

Amazônias
MANDIOCA BRASILEIRA

 


BARCARENA, Pará — No município de Barcarena a 90 quilômetros de Belém, fica o complexo químico-metalúrgico de produção e exportação de alumínio e alumina do Brasil. É neste pequeno município que a Albras, maior exportadora de alumínio do País, vem apoiando a difusão de uma inovadora técnica de preparo de área sem fogo, método desenvolvido desde os anos 1990 pela Embrapa Amazônia Oriental, para agricultores familiares de comunidades vizinhas ao complexo industrial.

 

A Albras executa o Programa de Agricultura Familiar Mecanizada, fomentando e difundindo tecnologias a mais de 130 famílias de comunidades vizinhas. Com isso, já surgiram 86 hectares de mandioca só este ano, consorciadas ao milho, arroz e feijão-caupi.

 

O programa é coordenado pela pesquisadora Vera Germano, da Cooperativa de Serviços Agroflorestais e Industriais (Coopsai) e supervisionado pelo gerente de Relações Externas e Comunicação Empresarial da Albras, Paulo Ivan.


 

Trator de 200 CV de potência move o  tritucap, garantindo a cada família de Barcarena um hectare de área com capoeira triturada, sem a necessidade do fogo /DIVULGAÇÃO
Trator de 200 CV de potência move o tritucap, garantindo a cada família de Barcarena um hectare de área com capoeira triturada, sem a necessidade do fogo /DIVULGAÇÃO



 

Um hectare de área sem fogo

 

Cada família é agraciada pela empresa com a preparação de um hectare de área, por meio da trituração da capoeira, método mecanizado de preparo de área sem fogo, feito com uso de implemento denominado tritucap, atrelado a um trator de rodas de 200 CV de potência.

 

Algumas famílias, dependendo de sua capacidade de mão-de-obra, ainda podem ser beneficiadas com mais um hectare preparado com grade aradora. Estas áreas são cultivadas com mandioca em fileiras duplas, consorciadas com milho, arroz e feijão-caupi.

 

As culturas são adubadas com fertilizantes minerais segundo as recomendações do Sistema Bragantino e a mandioca é plantada seguindo os princípios do Trio da Produtividade, ambos, sistemas desenvolvidos pela Embrapa. O agrônomo da Coopsai Pierre Figueira executa o projeto, acompanhando o trabalho dos agricultores.

 

Na comunidade de Arienga, os agricultores estão satisfeitos com os novos métodos e exibem orgulhosos suas lavouras da mandioca. Nélio Santos Melo, 39 anos e líder da comunidade, afirma:

 

– A trituração de capoeira e a roça sem fogo veio para ficar. É cada vez maior o número de agricultores que se interessam pelo sistema – ele comenta. Na mesma comunidade, Reginaldo Caldas da Silva, 37, expõe com satisfação seu mandiocal muito bem conduzido, intercalado com o milho e o arroz.

 

Áreas cultivadas com mandioca em fileiras duplas são consorciadas com milho, arroz e feijão-caupi e, arroz /DIVULGAÇÃO
Áreas cultivadas com mandioca em fileiras duplas são consorciadas com milho, arroz e feijão-caupi e, arroz /DIVULGAÇÃO



 

28 toneladas por hectare

 

Segundo o agrônomo Pierre Figueira, a produtividade média de 28 toneladas de raiz de mandioca/ha é obtida em roças sem fogo, resultantes de capoeiras trituradas, especialmente por agricultores que seguem com esmero as recomendações técnicas.

 

Albras e Coopsai negociam nova parceria com a Embrapa, para execução de um programa de pesquisa, difusão e transferência de tecnologias envolvendo novos experimentos, montagem de unidades demonstrativas e capacitação de técnicos e agricultores e a introdução de sementes melhoradas de feijão-caupi, milho e arroz, cultura perenes frutíferas e florestais para formação de sistemas agroflorestais e jardins de reciclagem com leguminosas.

 

Conforme Figueira, tudo isso contribui para o aumento da produtividade e melhor sustentabilidade aos sistemas, após o segundo ano de fomento, quando os agricultores devem conduzir seus plantios de maneira independente.

 
 

CONTATOS


Raimundo Nonato Brabo Alves. agrônomo, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental brabo@cpatu.embrapa.br

 

Moisés de Souza Modesto Júnior, agrônomo, analista da Embrapa Amazônia Oriental  moises@cpatu.embrapa.br

 

 

 

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